Parada gay no Japão reúne milhares de pessoas


Milhares de japoneses exibiram no sábado suas bandeiras arco-íris pelas ruas de Tokyo, em um desfile ao ritmo de samba e techno, para proclamar sua homossexualidade em um país onde poucos saem do armário.

No Japão vigora uma lei não escrita que recomenda "não falar e não perguntar" sobre a vida privada das pessoas, como prova de respeito para evitar situações embaraçosas, e a exibição pública da sexualidade resulta, quando menos, extravagante.

No entanto, são cada vez mais os gays e as lésbicas que, como no sábado, saem cada ano, munidos de perucas e fantasias, a percorrer as avenidas do popular bairro de Shibuya para
demonstrar que a homossexualidade também está em dia no Japão.

A Parada de Orgulho Gay japonesa, na sua sexta edição, é muito distante do espetáculo visto nos países ocidentais, onde o evento se converte em uma grande festa, tornando-se inclusive uma atração turística.

Apesar de transgredir as formalidades japonesas, a manifestação japonesa ocorreu dentro da habitual organização. Os participantes desfilavam em fila reta, quase de três em três, sem romper a formação e divididos em vários grupos separados entre si, para não atrapalhar o trânsito.

Como em muitas outras coisas, também existe uma maneira japonesa de tratar a homossexualidade. O jornal The Japan Times refletiu recentemente sobre a diferença de ser gay ou lésbica nos países ocidentais e no Japão, onde aos olhos de um estrangeiro, os homossexuais parecem mais reprimidos.

O termo "gay" entrou no Japão após a Segunda Guerra Mundial através dos soldados americanos, mas o fato é reconhecido no país desde o período Heian, iniciado no ano 795. Os próprios samurais e os monges budistas mantinham relações com pessoas do mesmo sexo, dentro de um âmbito privado, sem temor de serem discriminados.

Nos dias atuais, no Japão "as pessoas não saem do armário, mas entram", explicou em uma visita ao país Greg Dvorak, um especialista do Centro de Relações de Gênero da Universidade Nacional da Austrália. "A tendência é buscar seu próprio espaço, não é necessário sair do armário diante dos pais ou do chefe, mas sim ajustar-se ao ambiente", opinou Dvorak, segundoi The Japan Times.

As relações com pessoas do mesmo sexo não são perseguidas, mas a Associação Internacional de Gays e Lésbicas informa que na sociedade japonesa não há espaço para os indivíduos que querem viver publicamente de acordo com sua condição homossexual.

No entanto, uma prova de que os tempos mudam é que pela primeira vez na história da democracia japonesa, uma mulher declarada lésbica, Kanako Otsuji 32, candidatou-se como senadora nas últimas eleições à Câmara Alta no dia 29 de julho.

Kanako, candidata pelo Partido Democrático (PDJ), fracassou em sua tentativa mas lançou uma mensagem clara aos japoneses: "Quero criar uma sociedade com as cores do arco-íris, onde as minorias sejam aceitas como são". 












Agora fique com um video meio que relacionado sobre gay

Postagens mais visitadas