quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Nissan Moco, um pouco sobre esse carro....

Quando se pensa em carro japonês, a imagem que vem na cabeça de muitas pessoas no Brasil é dos carros com fama de robustos e inquebráveis – imagem hoje arranhada pelos infindáveis recalls anunciados quase todo mês (no caso dos Toyota e Honda). Outros lembram dos saudosos esportivos da década de 90, quando quase todas as marcas japonesas tinham o seu – pelo menos uns 3 modelos de cada fabricante, hoje em dia no mercado nipônico eles não passam de
6 ou 7 modelos no geral e diminuindo cada vez mais (com a recente notícia do fim de produção do Lancer Evolution X).

E os mais jovens citam os atualmente famosos híbridos e elétricos como o Toyota Prius e Nissan Leaf. Mas poucos se lembram dos mini carros japoneses, popularmente chamados de kei cars, kei jidousha ou simplesmente “kei” – também pode ser apelidado de “chapa amarela” na gíria popular entre os brasileiros que vivem no Japão. São carros que praticamente fazem parte da cultura japonesa, como o sushi na culinária e o sumô nos esportes.

Os pequeninos automóveis nasceram na década de 50 e foram os responsáveis pela motorização (junto com a moto Honda Super Cub) e industrialização do país que foi arrasado pela 2ª guerra mundial. Usufruem de benefícios concedidos pelo governo japonês, como impostos e pedágios mais baratos (até multas, dependendo da infração), seguro mais em conta e geralmente não necessitam que o proprietário do carro comprove que tenha uma vaga para guardá-lo.

Possuem uma gama de modelos muito diversificada, que vai desde pequenas picapes e vans de carga (kei truck e kei van) até mini-esportivos (Daihatsu Copen) e valentes 4×4 (Suzuki Jimny), mas são as pequenas minivans tipo “tall wagon” e os hatches que se destacam nas vendas. A maioria dos brasileiros que moram (ou moraram) no Japão já teve um carrinho desse (ou atualmente tem um, como eu), devido ao custo muito baixo para mantê-lo.

No início dos anos 2000 a Nissan era a única marca japonesa que não tinha um kei no seu catálogo de produtos (como a Toyota é acionista majoritária da Daihatsu desde 1999, pode se considerar que esta empresa é a divisão de kei cars da Toyota) e precisava urgentemente aumentar suas vendas, já que havia perdido o 2º lugar no mercado japonês para a Honda. Como o tempo era escasso e o dinheiro em caixa estava em baixa, foi feito um acordo comercial com a Suzuki – e posteriormente com a Mitsubishi.

Os kei cars da Nissan são comercializados no sistema OEM (original equipment manufacturer), onde ela compra os carros das marcas parceiras e os revende como Nissan. Não necessitando nenhuma fusão ou participação acionária com as mesmas. Um negócio que é bom para ambas as partes, pois não é preciso projetar do zero um modelo (Nissan) e ao mesmo tempo aumenta o faturamento (Suzuki e Mitsubishi). No japão é muito comum um modelo de carro ter 2 ou 3 marcas diferentes – na maioria dos casos kei e veículos comerciais.

Em 2002 foi lançado o primeiro kei car da Nissan, o Moco. De nome estranho – derivado da gíria japonesa “moco-moco”, significa algo “bonitinho, agradável e caloroso” A Nissan diz que é em alusão ao seu desenho externo e interno… Ele era basicamente um Suzuki MR Wagon com a grade, para-choque dianteiro, emblemas trocados e acabamento interno diferente. E agradou em cheio os clientes Nissan que precisavam de um carrinho compacto e barato de manter mas não queriam mudar de marca.

Em 2006 ele mudou totalmente. Bem mais arredondado e com uma altura maior, ele conquistou o público feminino e se tornou o kei mais vendido da empresa – que hoje possui 7 modelos nesta categoria. Foi tão bem aceito que vendeu mais do que o carro que lhe deu origem – um fato raro no caso de carros com emblemas trocados, onde geralmente o modelo original vende bem mais. No mês passado nasceu a 3ª geração, sempre baseado no kei car da Suzuki e de desenho bem estranho por fora mas com o interior mais moderno e espaçoso.

Os kei jidousha, são carros com um tamanho padrão de 3.40 m de comprimento, 1.48 m de largura, no máximo 2 m de altura e capacidade máxima para 4 pessoas.

A cilindrada e a potência do motor são limitados em 660cm³ e 64 cv respectivamente. Diante dessas imposições, a palavra-chave no projeto desses carrinhos é aproveitamento de espaço e de rendimento do motor ao máximo, deixando a beleza em segundo plano. E por isso o pequenino Nissan é um bom exemplo.

Uma boa parte dos kei cars possui um desenho que parece ter sido inspirado nos monstrinhos do Pokémon e o Moco não foge à regra. Com um desenho estranho para os brasileiros (muitos vão dizer que é feio mesmo…) mas absolutamente normal por aqui, ele agradou as mulheres por causa das suas formas suaves e arredondadas, interior bem cuidado e também pela variedade de cores bem femininas.

Veja o video que eu fiz do meu moco XD.


Ahh eu falei que o preço desse carro é de 100 mil yens a 300 mil yens só que é usado....
100 mil yens é  mais ou menos R$: 2314, 90
300 mil yens vai dar R$: 6944,60

Takaya16